Assistente Social
Uma Janela Aberta para o Serviço Social. Formação, Investigação, Docência, Teorias e Práticas, Organização Profissional, Ética, Direitos Humanos e Políticas Sociais e muito mais
Sábado, Janeiro 21, 2012
"Ganha/Ganha Terá Futuro?
"Esta crise não foi superada e possivelmente não o será enquanto prevalecer o dogma econômico, crido religiosamente pela maioria dos economistas e pelo sistema com um todo, segundo o qual as crises econômicas se resolvem por mecanismos econômicos. A heresia desta crença reside na visão reducionista de que a economia é tudo, pode tudo e que dela depende o bem-estar de um pais e de um povo. Ocorre que os valores que sustentam uma vida humana com sentido não passa pela economia. Ela garante apenas a sua infra-estrutura. Os valores resultam de outras fontes e dimensões. Se assim não fosse, a felicidade, o amor, a devoção e a compaixão estariam à venda nos bancos."
in
http://leonardoboff.wordpress.com/
Domingo, Janeiro 15, 2012
20 ANOS DEPOIS A AIDSS RESISTE!
NO Sábado uma tarde/noite aonde demos início aos festejos dos 20 Anos da AIDSS. 20 Anos, que coincidem um período importante para o Serviço Social Português, sua história ação na sociedade.
Nunca pensamos, em 1992, que este projeto chegaria até aqui, mas aqui chegados, é hora de festejarmos preparando o futuro num tempo de estranha "tortura".
Foram momentos importantes, aonde se produziu debate, mas também cultura e convívio. Obrigado a todos.
Até ao próximo momento!
Nunca pensamos, em 1992, que este projeto chegaria até aqui, mas aqui chegados, é hora de festejarmos preparando o futuro num tempo de estranha "tortura".
Foram momentos importantes, aonde se produziu debate, mas também cultura e convívio. Obrigado a todos.
Até ao próximo momento!
Sábado, Janeiro 07, 2012
A Propósito da polémica
Será talvez importante lembrar, que um dos primeiros actos de Salazar, foi a ilegalização de todas as ordens Secretas, nomeadamente a Maçonaria, claro porque os ideais das mesmas iriam ao arrepio da ditadura então inaugurada.
Não sendo Maçónico, no entanto, estou ligado directamente a outras Iniciações de Ordem esotérica menos orientadas para tentações profanas de domínio e poder, e toda a temática da tradição esotérica vincula-se ás escolas de mistérios, aonde também parecem se enquadrar os essênios e símbolos iniciais que Cristo enunciou.
Antes de mais estas Ordens são escolas que pretendem transmitir um saber ancestral, e contribuíram para muitas da mudanças positivas do mundo de hoje, como a liberdade, a democracia, a igualdade, nomeadamente entre sexos, etc. São escolas de meditação e pensamento, de humanismo e formação. Como GOL, na maior parte da sua história, perseguidos durante a ditadura, e antes pela inquisição.
São constituídas por pessoas essas Lojas, e no mundo, hoje como ontem, não imunes aos defeitos humanos de tentativa de ter poder, domínio e o dito bezerro de ouro, dinheiro.
Mas não são, neste aspecto diferentes de outras formas de associação para conquistar objectivos e tentar a imunidade perante actos menos dignos. Mas qualquer Iniciado sabe que perante si está sempre a ética, honra e probidade, e não existe conflito nenhum, quando o membro assume claramente estes princípios e os abre á sociedade. Este ataque, á Maçonaria, não sendo Mação, assemelha-se a outras peças na nossa história, que fazem parte de um outro puzzle aonde não será imune alguma mão, a Direita, qual braço da Opus Dei...
António Arnaut é um dos exemplos de um maçon comprometido com a mudança no mundo, para uma melhor e mais elevada civilização...outros nem tanto...mas é humanidade, imperfeita...
Já agora, o que se passará dentro de outras organizações????!!!! Hum...
Não sendo Maçónico, no entanto, estou ligado directamente a outras Iniciações de Ordem esotérica menos orientadas para tentações profanas de domínio e poder, e toda a temática da tradição esotérica vincula-se ás escolas de mistérios, aonde também parecem se enquadrar os essênios e símbolos iniciais que Cristo enunciou.
Antes de mais estas Ordens são escolas que pretendem transmitir um saber ancestral, e contribuíram para muitas da mudanças positivas do mundo de hoje, como a liberdade, a democracia, a igualdade, nomeadamente entre sexos, etc. São escolas de meditação e pensamento, de humanismo e formação. Como GOL, na maior parte da sua história, perseguidos durante a ditadura, e antes pela inquisição.
São constituídas por pessoas essas Lojas, e no mundo, hoje como ontem, não imunes aos defeitos humanos de tentativa de ter poder, domínio e o dito bezerro de ouro, dinheiro.
Mas não são, neste aspecto diferentes de outras formas de associação para conquistar objectivos e tentar a imunidade perante actos menos dignos. Mas qualquer Iniciado sabe que perante si está sempre a ética, honra e probidade, e não existe conflito nenhum, quando o membro assume claramente estes princípios e os abre á sociedade. Este ataque, á Maçonaria, não sendo Mação, assemelha-se a outras peças na nossa história, que fazem parte de um outro puzzle aonde não será imune alguma mão, a Direita, qual braço da Opus Dei...
António Arnaut é um dos exemplos de um maçon comprometido com a mudança no mundo, para uma melhor e mais elevada civilização...outros nem tanto...mas é humanidade, imperfeita...
Já agora, o que se passará dentro de outras organizações????!!!! Hum...
Quarta-feira, Janeiro 04, 2012
Para Quem Ainda Duvidava
Portugal é o único país onde a austeridade exigiu mais aos mais ao pobres (!!!!!)
Jornal de Negócios, 2012 01Jan
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=529107&pn=1
Estudo da Comissão analisa medidas tomadas entre 2009 e 2011 pelos seis países mais afectados pela crise
Jornal de Negócios, 2012 01Jan
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=529107&pn=1
Estudo da Comissão analisa medidas tomadas entre 2009 e 2011 pelos seis países mais afectados pela crise
Quinta-feira, Dezembro 22, 2011
Terça-feira, Dezembro 20, 2011
Dez 19, 2011
20 anos AIDSS – ESTADO SOCIAL EM DEBATE
No âmbito das comemorações dos 20 anos da AIDSS, vimos por este meio convidá-lo a estar presente na nossa 1.ª acção comemorativa, a decorrer a 14 de Janeiro de 2012 às 15h30m na Casa dos Açores do Norte.Esta primeira actividade tem como tema o ESTADO SOCIAL EM DEBATE com a presença do Professor Dr. Eduardo Vítor e o Exmo. Padre Maia.
Quarta-feira, Dezembro 14, 2011
Tempo de Antena da APSS dia 14
Assista ao tempo de antena da APSS, quarta-feira, antes do Telejornal na RTP1.
Diz que é uma espécie de democracia
por Pedro Jorge Pereira
Activista e formador eco-social
artigo publicado parcialmente no Barómetro Social
"O
actual primeiro-ministro do estado português estabeleceu uma série de
medidas relativas ao orçamento de estado para 2012 que representam um
tremendo retrocesso relativamente a algumas das principais conquistas do
povo português num contexto pós 25 de Abril. Direitos sagrados e
consagrados como o do subsídio de férias e de natal vêm-se dessa forma
subitamente, num abrir e fechar de olhos (diria mais num fechar de
olhos) “surripiados” em nome de um hipotético e quase profético combate
ao “défice” e à “crise”.
Uma
prática constante de diversos regimes (e em especial daqueles
particularmente autocráticos) tem sido o de encontrar um “inimigo” ou
ameaça externa, por vezes interna também, capaz de legitimar e
justificar toda uma panóplia de medidas e acções que em circunstâncias
normais seriam … aquilo que são: um violento atentado aos direitos e
liberdades dos cidadãos. Direitos esses, tantas e tantas vezes,
conquistados através de lutas de décadas com muito sangue, suor e
lágrimas de muitos combatentes pela liberdade e direitos dos cidadãos.
Numa
era de obstinado neo-liberalismo em que a economia de mercado impera
sobre tudo e sobre todos (ou pelo menos é essa a ideologia dominante a
nível mundial) o terrível inimigo essencialmente “externo” (já que
nenhum governo assume grande responsabilidade nos elementos causadores e
também no agravamento de tão tremendo fenómeno) é a crise económica
global. Muito falado é também o obsessivo “combate ao défice” como
objectivo primordial na estratégia de enfrentamento à referida crise.
Creio
que em relação à crise existem primordialmente aspectos tangíveis e
reais inerentes à mesma e aspectos, diria, especulativos.
Ou
seja, parece-me que um modelo económico que surgiu e se desenvolveu
baseado numa tremenda torrente de especulações financeiras globais e
baseado numa economia cada vez mais de base especulativa (e de criação
virtual de crédito) do que real não poderia senão caminhar a passos
largos para a sua própria implosão. Um modelo económico baseado na
produção em massa de bens de consumo supérfluos e descartáveis, a partir
de matérias-primas cada vez mais escassas, e com um violento impacto
ambiental, não poderia senão manifestar cada vez mais o seu carácter
limitado e finito (ao contrário do que preconizam uma grande parte das
teorias evidentemente mirabolantes que o justificam).
Parece-me
ainda que um modelo económico e ideológico que preconiza a
“mercantilização” de todos os bens e serviços, nomeadamente os
essenciais à vida, como paradigma máximo de crescimento, não pode senão
acabar por tornar evidente, mais tarde ou mais cedo, o carácter absurdo
da sua suposta legitimidade.
Ainda
assim, e apesar de tudo isso, é ainda esse modelo que se vai propagando
como um vírus da mais feroz virulência pelo mundo fora e também em
Portugal. Mais ainda: não são muitos os que ousam colocá-lo de forma
explícita e directa em causa. Ou seja, indiciá-lo como a principal razão
para a ocorrência de muitos dos fenómenos que ele próprio diz pretender
enfrentar, nomadamente o “défice”, a “crise”,etc.
Neste
sistema tudo e todos (o próprio ser humano) é reduzido ao seu valor de
mercadoria, valor esse que quando reduzido ou insignificante pode
significar a assumpção dessa mercadoria ou bem como “refugo” ou matéria
dispensável. E numa era do “descartável” nem o próprio valor do
“trabalho” (como ferramenta de inserção, coesão e valorização individual
no colectivo) se encontra a salvo de se tornar “descartável” através de
uma cada vez mais implacável precariedade eufomisticamente designada de
“flexibilização”.
Mas
como vinha dizendo, há de facto diversos aspectos tangíveis inerentes
ao “natural” esgotamento deste sistema económico/ideologia. Há também,
no entanto, muitos aspectos que indiciam a existência de uma importante
base especulativa.
Tanto
ao nível dos aspectos tangíveis como dos intangíveis há um aspecto
inerente a ambos que se reveste de uma importância primordial:
Raramente
são “apontadas” as verdadeiras razões do ponto a que a situação chegou e
a permanente injecção de capitais no sistema bancário parasitário, à
custa de uma cada vez maior depredação dos cada vez mais parcos recursos
económicos da maior parte da população, sobretudo daquela que não faz
parte da minoria elitista com um enorme poder económico (que se
repercute ainda em influência a outros variados níveis), somente tem
vindo a atenuar ou disfarçar a verdadeira dimensão da dita crise. Ou
seja, a gravidade de todos os devaneios especulativos da banca e da
bolsa só não é mais evidente porque o cidadão comum, que aspira somente a
viver a sua vida tendo a possibilidade de satisfazer as suas
necessidades mais elementares, tem vindo a pagar do seu bolso, do seu
esforço, o encobrimento da tremenda vulnerabilidade e disfuncionalidade
inerente ao sistema monetário internacional.
Por
detrás de tudo isto convém não esquecer um detalhe importante: Por
detrás de toda uma máquina, de todo um sistema, estão alguns indivíduos
que têm de facto um enorme poder aos mais variados níveis. Hoje em dia
as principais corporações multinacionais têm, várias vezes, maior poder
económico do que vários países juntos. Por outro lado essas
multinacionais são detidas pelos seus accionistas. Dito de outra forma:
Um conjunto relativamente restrito de indivíduos tem maior capacidade de
influência nas decisões que condicionam a vida de milhões de habitantes
em todo o planeta (pois o seu raio de acção é cada vez mais “global”)
do que essa enorme maioria. Não tanto através da politica (mas também),
não tanto através da força militar (mas também), mas sobretudo através
dos mercados. E a questão é que quase todas as esferas de decisão e
relacionamento são transformadas em peças do enorme tabuleiro de xadrez
mercantil.
De
certa forma estamos perante uma situação que se pode classificar de
neo-feudalismo. Temos já não uma realidade em que os agricultores e
artesões tinham a obrigatoriedade de pagar o tributo ao senhor feudal de
determinada região (e este posteriormente à coroa) mas uma realidade em
que de cada vez que “compramos” algo estamos a pagar o nosso tributo
aos senhores que detêm a posse do conjunto cada vez mais restrito de
multinacionais que controlam e detêm a produção de uma grande parte dos
bens e serviços que utilizamos e necessitamos.
Esses
bens e serviços, é importante dizer, são praticamente … todos. Por
outro lado é ainda mais importante salientar que os governos tendem
muitas vezes (talvez na maioria das vezes) a defender e representar
muito mais os interesses dessas corporações, logo desses novos senhores
feudais, do que do comum cidadão. No mundo neo-liberal as decisões têm
muito mais por propósito garantir “boas oportunidades de negócio e
lucro” do que realmente contribuir para o bem-estar da generalidade das
pessoas. Na realidade os dois objectivos são em larga medida
antagónicos, e o primeiro tende a ser muito mais preponderante num
contexto em que um pouquinho mais para esquerda, ou um pouquinho mais
para a direita, os principais governos e partidos nunca deixam de
obedecer a uma lógica e ideologia obstinadamente neo-liberal. Uma
ideologia que, de resto, tem essa propriedade única de parecer uma
não-ideologia. Tem essa propriedade de parecer uma “inevitabilidade
histórica natural” e não fruto de uma agenda e de um plano
estrategicamente traçado pelos principais arautos do neo-liberalismo que
começaram a adquirir cada vez maior poder sobretudo na década de 80 com
os regimes fundamentalistas do neo-liberalismo de Reagen e Thatcher.
Esta última também conhecida pela “dama de ferro” e que fez de facto
justiça ao seu cognome.
Por
outro lado é uma ideologia que nunca o assume ser, nem quando as
medidas e decisões são de carácter completamente neo-liberal. Mas são
sempre justificadas em função de uma série de conceitos mais ou menos
vagos como o tal propalado “combate ao défice”, “reestruturação
económica”, etc. Enfim, nada de novo quando estamos tão habituados a ver
inúmeras intervenções de destruição do património histórico ou natural
serem designadas de “requalificação” e “valorização paisagística”.
Também não é novidade a forma quase inacreditável como essa táctica de
recurso a “lugares comuns mais ou menos vagos” continua a funcionar de
forma tão eficaz … desde logo ao nível dos próprios órgãos de
comunicação social tornados, na maior parte das vezes, mais em órgãos de
propaganda da ideologia neo-liberal do que propriamente em jornalismo
independente, crítico e impulsionador de uma verdadeira reflexão.
Em
Portugal é também um “lugar comum” designar o direito ao voto como uma
das principais conquistas da revolução de 25 de Abril.
Numa
perspectiva que pode ser assumidamente polémica (felizmente, pois
estamos urgentemente a necessitar de polémicas com coisas e questões que
têm realmente a utilidade de o ser), tendo a acreditar que, no actual
contexto, o direito ao voto, muitas vezes, mais não funciona como uma
forma de legitimar um sistema que à partida se encontra em larga medida …
podre. Não existe uma forma mais “simpática” de o dizer. Podre. Em
muitos aspectos podre e profundamente “viciado”.
O
voto é de facto um direito importante, mas tão mais importante quanto
maior for a profundidade das ideias políticas, a profundidade dos
programas políticos. Tão mais importante quanto for o nível educacional
(que muitas vezes não passa propriamente pelo nível académico) e,
sobretudo, a capacidade de juízo crítico por parte dos cidadãos.
Nessa
medida parece-me evidente que a actual democracia que existe em
Portugal é em muitos aspectos bastante limitada. Quantos dos eleitores
votantes leram realmente o programa eleitoral do partido que estão a
eleger? Quantos eleitores votam em virtude de uma reflexão crítica
independente mais do que de uma fidelidade partidário-clubística, de um
condicionamento emocional gerado pelas máquinas de propaganda eleitoral,
de uma agradecimento pela régua, pela caneta ou pelo concerto de música
pimba oferecido pelo partido e pelo candidato? (quanto mais “populista”
melhor). Quantas campanhas discutem realmente ideias, iniciativas,
ideais? O cerne da mensagem dos principais partidos, nomeadamente dos
com maior representação partidária, é no essencial vaga, vazia e
“simplex”. Conceitos como desenvolvimento, crescimento, educação,
tecnologia proliferam de uma forma alucinante. É esta Democracia o
melhor a que podemos aspirar como ideal pós 25 de Abril?
O
maior logro, creio, é assumirmos que temos todos os motivos e mais
alguns para nos sentirmos satisfeitos com as “conquistas de Abril”.
Conquistamos de facto coisas muito importantes. Desde logo o facto de
ter terminado um regime profundamente obscurantista e autocrático que
mergulhou Portugal em décadas de estagnação. O maior logro creio,
contudo, é esquecermo-nos que a Democracia é um processo em permanente
construção, reinvenção e, sobretudo, observação. Se conquistamos muitas
coisas é importante não esquecer que outras tantas ficaram por realizar,
sonhar, alcançar. Se calhar muitas mais do que as que foram alcançadas.
Tantas delas cujo vislumbre se pressentiu em Abril, mas que depois
acabaram por nunca chegar a “ser”, sobretudo com o retorno a muitas das
situações que a revolução nunca chegou a verdadeiramente a revolucionar
(por exemplo a distribuição do poder económico que com relativa rapidez
voltou à posse das grandes “oligarquias” e famílias).
Por
todos esses motivos parece-me que uma das maiores limitações da actual
democracia é o cidadão concentrar ou focalizar a sua capacidade de
intervenção, acção e reflexão no mero acto eleitoral que face a um
contexto de plena tecnocracia partidária em muitos aspectos não muda
propriamente o cerne de muitas questões.
Ou
seja, uma das principais limitações da actual Democracia prende-se, na
minha opinião, com essa tremenda susceptibilidade de conduzir o cidadão a
um papel de acentuada apatia e resignação. Ao papel de mero observador
mais ou menos passivo (exceptuando nesse momento em que quase por favor a
tecnocracia partidária concede o direito ao cidadão de eleger aqueles
que irão tomar o cerne das decisões relativas à sua vida … por eles). Na
maior parte dos casos quando existe alguma “revolta” ou não resignação
dos cidadãos ela tende a manifestar de forma muito inconsequente,
inconsciente e, vezes e vezes sem conta, na alteração, ou não alteração,
de determinado sentido de voto que, no fundo, não muda em quase nada a
direcção a um panorama social, político e económico cada vez mais, e
obsessivamente, neo-liberal. O dito centralismo democrático em Portugal
(e na quase totalidade dos países da Europa) parece-me ser a maior
evidência disso mesmo.
Por
outro lado, e aqui reside outros dos aspectos fundamentais da questão, a
realidade é que a eventual mudança de forças e orientações a nível
político (quando elas acontecem, e as que têm vindo a acontecer têm sido
manifestamente “para pior”) não tem vindo a produzir significativas
modificações no plano provavelmente mais determinante aos mais variados
níveis: o plano económico.
Os
principais partidos políticos, pelo menos aqueles que têm vindo a
constituir a diferentes legislaturas em período dito democrático, têm
vindo a manifestar uma forte subjugação às principais forças e entidades
económicas que se movem, por assim dizer, na sombra. Mas que vezes e
vezes sem conta acabam por ser mais influentes e decisivas do que eles
próprios. Na realidade, em larga medida não existe qualquer separação
entre ambos. Os partidos, e a “elite” que possui maior poder no seu
interior, são na verdade o próprio poder económico dominante. São os
novos senhores feudais, ou lacaios dos mesmos, que têm vindo a
transformar todo o nosso tecido económico e social (nacional e global)
num verdadeiro jogo de monopólio bolsista e bancário.
Esse
poder é alicerçado num enorme apego a esse mesmo poder, assim como numa
tremenda falta de ética e acima de tudo num enorme pressuposto de
egoísmo e meritocracia. Esse poder institui a opulência e acumulação
exponencial de fortuna de uns poucos em detrimento do mais elementar
bem-estar de muitos (a esmagadora maioria da população). Esse poder
semeia a desigualdade, a injustiça, a exclusão e a pobreza. E fá-lo com
todo o descaramento e legitimidade alicerçada na aparência de
normalidade que institui. É legitimo roubar aos pobres para dar ainda
mais aos ricos. É legitimo tornar os bens e serviços públicos em
“mercadorias” a vender em leilão aos grandes grupos económicos dos
senhores feudais dos quais são o mais fiel “xerife”.
São
indivíduos profundamente insensíveis e obstinados nos seus propósitos
de ascensão na hierarquia político-económica aqueles que dirigem os
destinos de milhões de seres humanos no nosso país e também no globo.
Como
é que podemos permitir que a democracia se torne nesta teia de poderes,
jogos de interesse e, acima de tudo, mecanismo de perpetuação de poder
destes novos, e também velhos, senhores feudais modernos?
O
Estado somos todos nós? O Estado é cada vez menos todos nós e cada vez
mais o todos eles. É um Estado cada vez menos social e cada vez mais um
Estado que trabalha e existe para desregulamentar e implodir tudo aquilo
que é serviço e interesse público. É um Estado planeado para o ser só
na medida em que possa ser útil ao funcionamento da grande máquina
especulativa e corporativa.
O
Estado tornou-se numa máquina parasitária, pesada e de funcionamento
trôpego? Sim, em larga medida tornou-se, sobretudo na medida em que se
tornou num Estado à medida do aparelho burocrata do poder dominante e
num Estado cada vez menos do e para os cidadãos.
Por
outro lado a decisão de tornar o Estado no que se tem vindo a tornar
tem vindo a ser isso mesmo: uma decisão. Uma decisão inserida numa
agenda e política de neo-liberalização que não esconde nem por instantes
se desvia um milímetro que seja da sua genética e “instinto natural”.
Foi
esta a democracia porque tanto aspiramos? Uma democracia em que nos
resta escolher entre um Estado burocrata, tecnocrático e tremendamente
sorvedor de recursos ou uma desregulamentação feroz do mercado e
hipoteca definitiva da nossa economia, sociedade e planeta aos
interesses dos grandes grupos financeiros globais e nacionais?
Foi
esta democracia porque tanto aspiramos? Em que uma nova elite global e
nacional, em nome do nosso bem-estar, ousa expropriar, pilhar e destruir
numa aura de aparente ordem e sentido de “causa maior”?
Foi
esta democracia porque tanto aspiramos? Em que nos tornamos num rebanho
dócil e crentes fieis desta nova religião global? Aleluia Banco
Mundial, Aleluia Organização Mundial de Comércio, Aleluia Nato.
Diariamente
dezenas de decisões - às vezes muito mais determinantes e influentes ao
nível daquilo que é a realidade de milhões de seres no planeta Terra do
que as dos próprios governos - são tomadas nas salas de reuniões dessas
novas instituições supra-mundiais cujos funcionários, a propósito, não
são alvo de qualquer escrutínio ou sufrágio por parte do comum cidadão.
O
século XX foi pródigo em progressos, conquistas e emancipação dos
grupos e classes sociais até aí de uma forma geral quase sempre
oprimidas e descriminadas. Um progresso que não surgiu do nada mas que
foi o corolário de uma grande luta pela emancipação social e económica
dos indivíduos. Pela consagração dos direitos humanos.
Em
poucas décadas de neo-liberalismo, em muitos aspectos, temos vindo a
hipotecar e vender, a preço de saldo, muitas dessas conquistas. Em nome,
precisamente, do nosso bem-estar. Estranho paradoxo este … termos de
abdicar de tudo que é essencial, termos de fazer sacrifícios para um dia
mais tarde, quem sabe, podemos recuperar uma parte de tudo o aquilo que
agora temos de aprender a viver sem …
Esta
espécie de aceitação subliminar, esta cultura de aceitação sem
questionar ou, menos ainda, obstar seja de que forma for … é exactamente
aquela que predominou no país durante as longas décadas de ditadura
fascista … e ela é precisamente a chave para a manutenção e disseminação
desta democracia tecnocrática e fortemente partidarizada.
Enquanto
acharmos que “eles é que sabem”, “eles é que decidem” e, pior ainda,
naquilo que é maior procissão de fé à nova religião, acharmos que eles
estão lá principalmente para zelar pelo nosso bem e interesses (e que
bem Salazar explorou esse papel do “Pai da pátria”) nunca seremos
capazes de desenvolver e pensar novas formas de participação e decisão
cívica, novos modelos de funcionamento democrático em que os cidadãos
adquiram um papel cada vez mais activo e cada vez menos passivo e
submisso às lógicas e esquemas partidários. Esquemas esses, e nunca é
demais repetir, submetidos sobretudo à lógica de funcionamento dos jogos
de influência e decisão dos principais centros do poder económico
neo-liberal. Centros esses que se encontram em larga medida camuflados e
envolvidos numa aura de secretismo, no mínimo, muito pouco democrático.
Teoria da conspiração? É talvez mais fácil e confortável acreditar que a
democracia funciona de forma plena, que os homens da política e da
economia pretendem de facto o nosso bem … que todo o sistema funciona de
forma ética, transparente e em que os cidadãos têm de facto um enorme
poder de participar nesta vida democrática. A verdade é que com uma
relativa excepção dos países escandinavos, e muito em particular do
exemplo da Islândia que tem sido sistematicamente ignorado pelos
principais meios de comunicação social, creio que acreditar em tudo isso
não é muito diferente de acreditar na fidelidade conjugal de Sílvio
Berlusconi.
O
que é mais importante, a nossa vida ou o lucro deles? A possibilidade
dos seres terem acesso às mais elementares condições de bem-estar,
nomeadamente saúde, educação e alimentação, ou a prerrogativa de uma
pequena elite acumular cada vez maiores fortunas e viver na mais obscena
opulência? A resposta é óbvia. Mas então porque é que vivemos e
permitimos a existência de um sistema que tem vindo a agravar e a
produzir cada vez mais precisamente o oposto?
Não
são meros acasos circunstanciais mas políticas, planos e estratégias
muito bem delineadas e alvo de meticulosas elaborações em gabinetes nos
principais centros do poder neo-liberal.
Nós
gostamos de acreditar que só querem o nosso bem, que os seus propósitos
são nobres e solidários. Mas no fundo sabemos que vezes e vezes sem
conta não é assim, bem pelo contrário. Provavelmente não é assim na
grande maioria das situações.
Um
indivíduo, ou, pior ainda, um conjunto de indivíduos sedentos de poder,
ou viciados no seu poder, são indivíduos que por norma não olham a
meios para atingir os seus fins. E essa é em larga medida uma realidade
que determina aquilo que é o nosso dia-a-dia. Essa é uma premissa que
quase tacitamente aceitamos como natural nesta forma de democracia
predominante.
É
um princípio, no fundo, extremamente doentio, mas ao qual nos
habituamos como quem tem que viver com uma doença incurável. Mas a
verdade é que não tem.
Todo
este sistema precisa de um profundo tratamento de choque. Todo este
sistema precisa de ser denunciado e exposto antes que já nada mais haja a
salvar.
Todo
este sistema, e muito em particular os interesses a quem ele provem,
precisam de conhecer a capacidade dos indivíduos e cidadãos em dizer “já
basta” e a capacidade destes reclamarem o direito a decidir e escolher
aquilo que é de facto o melhor para a sua vida. E é bem melhor terem um
acesso realmente democrático (e não cada vez mais elitista) a boas
condições de trabalho, de educação, de ambiente, de saúde do que a
manterem em funcionamento um sistema monetário parasitário e cada vez
mais em estado comatoso. Vivemos agrilhotinados por esse “zombie” de que
temos que nos livrar de uma vez por todas.
É
tempo de partir para novas formas de luta (de preferência não as já as
da “praxe”, mesmo com todo o respeito que merecem, do comício e das
manifestações com “slogans” gastos) e de reinvenção democrática. É
talvez até tempo de desobedecer de forma pacífica. Como dizia Gandhi, “é
um dever moral dos indivíduos desobedecerem a leis que são injustas”,
como as desta democracia são cada vez mais. Leis fiscais, leis laborais e
leis legislativas.
Muito
mais fica por dizer mas acima de tudo urge o tempo da acção, reinvenção
e repensarmos criativamente os modelos de organização social, económica
e política que realmente desejamos para a nossa vida e para a nossa
sociedade.
Muito
mais fica por dizer, por escrever mas a verdadeira democracia tem de
ser sempre, sobretudo, um livro em aberto, à espera de ser escrito por
todos os cidadãos com capacidade de pensar e agir livremente. A
verdadeira democracia pode e deve ser uma democracia mais directa, mais
participada e participativa, onde “responsabilidade” é a palavra-chave
numa “responsabilização” que terá que passar pela chamada das pessoas a
assumirem o seu lugar activo nos processos de decisão. Muito mais do que
serem meramente responsáveis por delegar a sua responsabilidade num
suposto representante dos seus interesses. São pródigos os exemplos de
formas directas e populares de democracia que surgiram no 25 de Abril.
Fábricas, comunas agrícolas, centros sociais auto-gestionados e
assembleias populares diversas proliferaram um pouco por todo o país,
tendo gradualmente vindo a ser eliminadas e substituídas por formas e
modelos convencionais de poder e decisão central.
A
verdadeira democracia é bem mais do que uma cruzinha num boletim de
voto eleitoral. Tem de ser um livro à espera de poemas, de sonhos, de
aspirações realmente fraternas, justas e guiadas pela ética social e
ecológica. Guiadas pelo direito de todos os cidadãos a terem o acesso
aos bens e serviços que possam satisfazer as suas reais necessidades
básicas. Bens e serviços que são cada vez mais um luxo e cada vez menos
um direito.
Como
alguém disse um dia: Face ao pesadelo que a nossa realidade se está a
tornar sonhar é a atitude mais realista que podemos ter.
Um
dos meus principais sonhos é o de viver numa autêntica democracia, em
que todos os homens são realmente iguais, e em que predominam os
princípios da igualdade, liberdade e fraternidade. Utopia? Talvez sim …
mas por isso mesmo cada vez mais válida e actual. Já o era há um bom par
de séculos atrás, e muitos foram os que dedicaram e deram a vida por
ela. Não só por nós, mas também por eles, não nos podemos resignar ao
poder daqueles que pretendem concretizar a agenda neo-liberal até às
suas últimas e mais doentias consequências. Até porque para já estão no
bom caminho para o conseguir. Em épocas diferentes, em quase todos os
locais da terra, muitas foram as revoltas populares contra os sistemas
feudais dominantes. Muitos foram também as revoltas contra o sistema
capitalista industrial que lhe sucedeu. Muitas são também aquelas que
acontecem hoje em dia ainda que os contornos sejam em geral radicalmente
diferentes do passado. Mas dessas revoltas, numa sociedade orientada
para a alienação e entretenimento, fala-se ainda muito, muito pouco.
Quem sabe o que aconteceu por exemplo na Islândia?
É
tempo pois de nos revoltarmos de forma inteligente, criativa e pacífica
contra a ordem mundial e nacional neo-liberal e fazermos de todo o
nosso estilo de vida a maior prática de desobediência cívica a um
sistema, e às entidades que o representam e instituem. Como? Há muitas e
variadas respostas mas as mais importantes são aquelas que formos
capazes de desvendar nos novos caminhos que individual e colectivamente
há a trilhar.
E não esqueçamos: “Uma caminhada de mil passos começa com o primeiro passo”. (1)
E é só isso mesmo que cada um de nós precisa de fazer … dar o primeiro passo."
(1) Lao Tsé
NOTA: Por não concordância com o designado Novo Acordo Ortográfico o autor continua a escrever conforme a dita “norma antiga”
--
Pedro Jorge Pereira
(+351) 93 4476236
ecotopia2012@gmail.com \ sarda@riseup.net (int)
Segunda-feira, Dezembro 12, 2011
Desafios decisivos para o ano de 2012, ao Serviço Social
O Serviço Social Português tem esse dever, ético, de denuncia e crítica, das questões, hoje mais que nunca, que visam trucidar áreas como o Serviço Nacional de Saúde (taxas Moderadoras, privatizações disfarçadas), Segurança Social (desafectação de recursos, privatização de sistemas de protecção), e outro dever de propor alternativas.
Uma Nova Era De Escuridão e Opressão
A realidade, nua e crua, é que temos de claramente perceber os tempos que enfrentamos marcados pelo domínio da ideologia Neo Liberal e por transformação das relações sociais.
A União Europeia, enquanto espaço, simultâneo de Liberdade, e com o valor único no mundo do Estado Social, valor exportável até há pouco, decidiu dar um murro no Estado Social, e pauperizar-se, em nome de uma liderança não democrática.
Sim, também a democracia está abalada, já começamos a viver um outro tempo, aonde, se parece mais com os diktats da ex-União Soviética, do que com participação, integração democrática e decisões assim baseadas.
Temos de olhar em frente e perceber, defendendo o oposto, temos de encontrar formas de resistência a uma nova opressão, pois é disso que se trata, opressão e humilhação nacional. Sabemos que as humilhações não acabam bem historicamente...e mais uma vez a Inglaterra, assente no projecto democrático secular, não abdicou, desse espaço de decisão interna, que é a democracia, mesmo que outros motivos menos nobres se aliem.
Resta-nos o território do combate, ao monopólio da ideia única cujos avatares são os economistas de serviço...Segunda-feira, Dezembro 05, 2011
AIDSS/IFHS: NOVOS CURSOS
Direcção e Coordenação de Equipamentos Sociais: dir e coor de equip sociais guimaraes.pdf
Curso de Especialização Sobre Crianças e Jovens em Perigo : CE crianças e jovens em risco.pdf
P.G. POPULAÇÕES SÉNIORES : pgsenior_jan121.pdf
Segunda-feira, Novembro 28, 2011
Posição de APSS
A Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS) repudia totalmente o teor, argumentação e finalidade da Petição “Extinção do Rendimento Social de Inserção” que deu entrada na Assembleia da República e foi admitida na Comissão de Segurança Social e Trabalho (XII Comissão) com o Nº 47/XII/1 no passado dia 15 de Novembro."COMUNICADO
O texto da petição pode ser consultado online na ligação: http://www.peticaopublica.com/ PeticaoVer.aspx?pi=P2011N12827 ).
Mais informamos que daremos conhecimento desta posição à referida Comissão Parlamentar.
Lisboa, 25 de Novembro de 2011"
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